Diferente do ensino dos mestres da ostentação, a bíblia não nos ensina a buscar prosperidade material por meio de correntes milagrosas, sementes da fé, cultos de prosperidade, e sim através do trabalho (Gn 3.19); é dele que devemos retirar nosso sustento e pão cotidiano (2Ts 3.2). Jesus não teve um ministério voltado para a prosperidade material, mas para a salvação dos homens, e exortou seus discipulos a não ajuntarem tesouros na terra, mas no céu (Mt 6.18,19), e os lembrou que ao quando vivemos apenas para as coisas materiais, perdemos o maior galardão, que é imaterial (Mt 6.20). Paulo nos adverte acerca dos riscos que corremos ao viver para o acumulo de riquezas (1 Tm 6.10), e nos ensina o caminho do contentamento (1Tm 6.8).

É claro que a igreja cristã tem necessidades que devem ser supridas pelo corpo. A familia pastoral precisa ser cuidada com dignidade, tendo suficiente para sua provisão, cuidados medicos, vestimenta, lazer, etc. Cuidar dos seus pastores é biblico (Lc 10.17, 1Tm 5.17-18), e é lícito ofertar para esta causa (1Co 9.11, Gl 6.6). No entanto, a provisão digna e necessaria de um obreiro cristão nada tem a ver com o estilo nababesco de vida dos "pastores ostentação".
À luz do ensino bíblico sobre as riquezas, soa-me no mínimo discrepante a ideia de que um ministro do evangelho viva uma vida de ostentação enquanto muitos em sua comunidade e ao redor do mundo não possuem sequer um pão para comer. Muito pior, porém, é aquele que vivendo opulentamente à expensas da fé alheia, ensina a grei que o proposito da cruz foi enriquecer os crentes, instigando neles o materialismo com a promessa espúria de que se pode usar a religião para ficar rico, promessa essa que apesar de estar "se cumprindo" na vida dos grandes líderes eclesiásticos (como mostrou a revista Forbes), está muito distante da vida dos fieis que frequentam seus templos e lhes sustentam os luxos.

